
Sabendo que és minha (Jandaíra, 2020)
Obra premiada pelo ProAc 2019
Romance
Neste romance de autoficção, a autora vai às profundezas – regiões abissais habitadas por seres como a Lula Vampira do Inverno ou a própria psique – para tecer, sílaba a sílaba, as palavras que compõem frases cravejadas de sonho, solidão e silêncio. Este é um livro sobre luto. E sobre a coragem de permanecer viva.
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Suprindo a falta de obras que elaborem a perda materna, a primeira novela de Fabrina Martinez representa um divisor de águas interno que nos sensibiliza pelo aprendizado, sempre possível e não indolor, de apreciar a beleza dos ciclos naturais e abraçar as criaturas marinhas que carregamos conosco.
As personagens, sem nome, grafadas em maiúscula, evidenciam uma constelação de mulheres que se aproximam do leitor de tal forma que Minha mãe, Minha Analista, Minha Filha podem ser qualquer um de nós, tamanha é a identificação. Sabendo que és minha é um livro sobre o luto, sobre a perda, sobre a falta, mas também é um livro sobre a vida, sobre a memória, sobre os rastros, sobre os restos, sobre a possibilidade de dançar no inferno, de se erguer dos escombros e se recompor.
A lula-vampira-do-inferno aparece nessa novela como uma ilustração do que é o luto para a narradora. O infamiliar das emoções. A personificação de algo desconhecido, adaptável e complexo. A morte da mãe provoca na personagem a constante sensação de falta de oxigênio, mas assim como esse animal de sistema nervoso complexo vivendo em condições inóspitas, ela continua vivendo. Para essa mulher, viver com a falta não é um processo violento ou bruto, mas envolve dor. Acessar memórias que revelam ressentimentos, frustrações, e feridas que foram crescendo durante a convivência, trás também a sensação de impotência diante da morte. Não existe mais tempo para cuidar das feridas, mas ainda existe dor, e assim como a Lula Vampira ao se sentir ameaçada revira-se revelando uma parte menos agradável de si, essa dor também transforma, e quem essa mulher é depois de se transformar nem sempre é compreensível a quem ainda não passou por esse processo.

Antes que eu me esqueça: 50 autoras lésbicas e bissexuais hoje (Quintal Edições, 2022)
Antologia
Antes que eu me esqueça – 50 autoras lésbicas e bissexuais hoje é composta por poemas e contos, a obra, cujo tema é memória, contou com a curadoria da escritora Gabriela Soutello, e incluiu em todo o processo a diversidade como mote: com autoras e textos vindos de todas as partes do Brasil, contemplando multiplicidade de raças, regiões e sexualidade. Um conjunto formado por textos que são, ao mesmo tempo, plurais e íntimos, propondo identificação, representatividade e nomes contemporâneos para o cenário da escrita. A capa e as ilustrações são da artista Júlia Bertú.

Tomar corpo: poesia (Jandaíra, 2020)
Antologia
Em novembro de 2019, a Editora Jandaíra, a Residência Artística Kaysaá e o projeto Tomar Corpo, de Lucila Losito Mantovani, realizaram uma residência literária para escritoras no litoral norte de São Paulo. Ao longo de cinco dias, elas conviveram e escreveram, sendo tocadas por mata, vento, areia, água. Dessa convivência entre vinte e seis mulheres – poetas e oficineiras – junto à Mata Atlântica, surgem os poemas desta coletânea.

Café Espacial #17 (Café Espacial, 2019)
Antologia
Conto | A coisa mais feminina do mundo, por Fabrina Martinez